Blues, Beat & Beer
quarta-feira, agosto 24, 2005
  A Origem de Tudo

Eu não me lembro exatamente quando o Blues entrou na minha vida, mas uma coisa que tenho certeza é que, nas minhas 3 décadas de vida, eu ouvi mais blues que qualquer outro tipo de musica. Até porque sempre que ouvi um blues foi porque eu estava afim de ouvir e outros estilos aparecem sempre em momentos em que a gente está fazendo alguma coisa que na maioria da vezes não gosta. Como estar na sala de espera de um dentista, por exemplo.

Alguns tipos de música tem prazo de validade dado pela gravadora e poderiam vir com uma frase: "Consumir antes de: Vide fundo da caixa". Estes são os produtos que estão sempre no campo de visão do consumidor. São como leite em caixinha. Depois de abrir é preciso consumir em alguns dias. Depois é necessário voltar ao mercado e comprar outro estilo músical. Mas sempre existe a possíbilidade de se escolher entre integral ou semi-desnatado. Mais de duas opcões não é necessário.

O blues é o produto do mercado que nunca (ou quase nunca) é facilmento visto quando se entra numa loja. E nem perto da cerveja ele está. As vezes, mesmo quando perguntamos ao cara que organiza as prateleiras, onde podemos encontram um John Lee Hocker, ele responde: "Humm, deve ser no 3o. andar, junto com a comida de cachorro". Ou seja, em um lugar que jamais a gente procuraría.

A primeira vez que eu ouvi falar da geração Beat, eu me lembro muito bem. Era um sábado frio e chuvoso quando meu amigo Leandro Sca chegou pra mim e me disse que queria me apresentar um cara que ele conheceu.

Esse meu amigo Leandro era um cara de boa fé, sempre estudioso e dedicado a seus ideais. Ele já estava no terceiro ano da facudade de direito enquanto eu estava dois anos sem estudar e ainda não sabia o que queria fazer da minha vida.

Fomos até a biblioteca municipal e lá estava o cara. Numa sala bem pequena no fundo da biblioteca, um cara meio cabeludo e barba por fazer, perdido no meio de um monte de livros em toda parte. Ele era o cara responsável por catalogar e organizar os livros da biblioteca. Eu não lembro seu nome. Eu tenho uma péssima memória para nomes.

A primeira coisa que Leandro falou para ele foi: "Ola, trouxe um cara aqui que vai adorar saber sobre a geração beat". Talvez não tenha sido bem assim, mas foi mais ou menos isso. As três horas seguintes vieram como uma tempestade de informações. Eu fiquei muito impressionado com esses amigos Beatniks. A forma com que eles viviam, escreviam e tal.

Eu comecei como muitos. On the Road na veia. E depois disso vieram muitos outros.

Sobre "Beer e similares", deve ter sido em um breve instante de tempo, logo depois que um frei gordinho e careca, chamado Albino descobriu a fermentação, mas lembrar disso já é pedir demais.
 
Comments:
Por que será que todos começamos com o On The Road??? tantos outros...
 
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Christon Delàs
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Boulders at night, it stays
Frightened outside the
Range of my campfire
I go to meet it at the
Edge of the light."
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